Pense duas vezes

5 perguntas para identificar se uma startup vai falir – e não cair em ciladas

Tallis Gomes e Tiago Albino dividem experiências para identificar startups resilientes ainda em seus estágios iniciais

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Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e da Singu

SÃO PAULO – Começar a trabalhar em uma startup pode significar ser parte do crescimento de uma empresa de sucesso – e beneficiar-se financeiramente e profissionalmente no futuro – ou fazer parte de um enorme fracasso e acabar de mãos abanando.

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostrou que 50% das empresas declaram falência até completar quatro anos de existência. Para se certificar que o negocio é realmente concreto e não trará dores de cabeça, é preciso fazer algumas perguntas sobre a situação da empresa e os planos que ela reserva para o futuro.

O InfoMoney conversou com fundadores de startups para reunir as melhores perguntas que devem ser feitas para determinar se a empresa em fase de crescimento que está contratando está na metade de sucesso da estatística.

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1. Qual o planejamento financeiro?

Compreender o conceito de “trajetória”, e como se aplica às startups, precisa ser um de seus primeiros questionamentos ao considerar se deve ou não participar de uma. Tallis Gomes, fundador da empresa de mobilidade Easy Taxi e do app de beleza Singu, acredita que, na fase inicial, esse tipo de empresa precisa ter metas claras que visem uma expansão rápida e concreta.

“Eu perguntaria qual foi o faturamento dos últimos três meses e, principalmente, qual a receita média gerada por usuário e qual o tempo de vida do consumidor na minha plataforma”, comenta Tallis.

Ao perguntar sobre a trajetória da startup, você está essencialmente descobrindo como e se ela é financeiramente estável. Se a empresa tem apenas seis meses de vida e pouco crescimento ou falta de visão de planos futuros, por exemplo, isso pode indicar que demissões e graves problemas podem ocorrer em menos de um ano se a captação de recursos não ocorrer conforme planejado, ou não houver reestruturação.

2. Quais são os principais valores?

De acordo com Tiago Albino, produtor do podcast “Minha Startup Quebrou”, o principal ponto é saber se a personalidade e o perfil do trabalhador estão alinhados com a cultura da companhia. Albino já fundou duas startups, levantou mais de R$ 3 milhões em capital, mas acabou falindo, então tem conhecimento de causa.

“É preciso se preocupar com qual é a cultura de trabalho, já que isso fará parte da sua vida e do seu dia-a-dia. Alinhe-se com a cultura, entenda como querem que você trabalhe e comece a pensar no seu proposito lá dentro”, diz Albino.

Fazer perguntas sobre os valores centrais da empresa, sobre sua missão e visão, bem como onde a empresa espera estar em cinco a dez anos é essencial. Gomes acredita que a visão da startup deve estar bem definida e precisa ser implementada desde o começo com todos os funcionários. É importante que quem trabalha lá se sinta confortável e alinhado com o pensamento da empresa.

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“Converse com os funcionários e saiba, claramente, qual visão da startup. Os valores, princípios, da companhia devem ser disseminados desde o inicio”, explica Tallis.

3. Quanto a empresa exige dos funcionários?

Uma vez que você determinou que a missão e os valores da organização são compatíveis com o seu perfil, é fundamental ter uma ideia do que seria realmente trabalhar lá dia após dia (ou, como no caso de muitas empresas em construção, noite após noite).

É recomendado fazer perguntas como quais são os planos de carreira prometidos aos funcionários, que treinamentos eles oferecem ou quais são os planos da startup para você, especificamente.

Analisar algumas informações específicas pode ajudá-lo a obter uma visão mais ampla de como os funcionários vivenciam a vida nessa startup específica. O Love Mondays, portal que reúne avaliações de funcionários sobre empresas, é uma boa ferramenta para começar essa busca.

Uma questão importante a ser explorada em relação à cultura de startups é como funciona a política das horas de trabalho, uma vez que altas expectativas nesse sentido podem rapidamente prejudicar seu equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Os candidatos devem entender, por exemplo, o que pode ser exigido deles nos estágios iniciais.

4. O que mantém o fundador acordado à noite?

Albino acredita que essa pergunta é uma forma de tentar detalhar se os donos estão conscientes dos obstáculos ou desafios que podem impedir sucesso da companhia.

“Todos os fundadores de startups devem estar bem conscientes dos problemas. E isso deve estar alinhado ao proposito da empresa. Saiba quais são suas dores e como resolver da melhor forma possível”, diz Albino.

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Essa pergunta serve, essencialmente, para entender o que os responsáveis pela empresa acreditam ser seu maior risco para o sucesso e o quão incerto o será o futuro da companhia. Albino explica que a grande maioria das empresas em fase inicial não conseguem sucesso por oferecer produtos e não resolver problemas.

“Você precisa suprir uma necessidade. Às vezes seu produto é funcional e muito útil, mas não serve para facilitar a vida de ninguém, por exemplo”.

5. Quem são os chefes?

Uma figura central em qualquer startup é um líder forte, dedicado e comprometido. E, tanto para Tallis Gomes quanto para Tiago Albino, o importante é saber tudo que essa pessoa já fez para avaliar os sucessos, mas principalmente os fracassos, pois errar faz o líder aprender a como acertar e evitar futuras falhas.

“Startup é um projeto, um processo novo de puro descobrimento. E muitas vezes isso leva a crises. Costumo dizer que é mais importante saber o que dá errado ao o que dá certo”, acredita Tallis. “Falir não é um fracasso em si, já que resiliência é a principal característica do perfeito empreendedor. Seu grande sucesso pode estar na sala ao lado do seu maior fracasso”, completa.

Albino recomenda que o futuro funcionário vasculhe os projetos passados do líder pelas redes sociais, se possível, prestando atenção em como os consumidores avaliam as companhias.

“Vá pelas indicações, converse com funcionários, saiba como é personalidade de trabalho desse gestor. É importante procurar o perfil dele no LinkedIn, ver conexões e avaliações”, explica Albino. “Preste atenção nas avaliações da marca nas redes sociais e, principalmente, em sites que arquivam reclamações contra companhias, como o ReclameAqui”.