Vivendo demais?

Bilionários longevos deixam herdeiros esperando nos EUA

Os bilionários dos EUA estão vivendo mais - e disputas de herdeiros estão entre os riscos que enfrentam

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(Bloomberg) — Quando morreu aos 90 anos, em 2018, Tom Benson deixou um império que incluía um time profissional de futebol americano e outro de basquete e uma rede de concessionárias de automóveis. Seus últimos anos foram marcados por brigas entre os herdeiros.

Na disputa judicial, foi argumentado que Benson não estava mentalmente capaz quando mudou seu testamento. A filha e dois netos alegavam que ele foi influenciado pela terceira esposa, Gayle Benson, 72 anos, com quem se casou em 2004. Tom Benson negou a acusação e um tribunal do Estado de Louisiana concordou. No fim das contas, a esposa ficou com os times New Orleans Saints e New Orleans Pelicans. A filha e os netos ficaram com quase todo o resto. Mas o processo consumiu muito tempo e provavelmente muito dinheiro.

Os bilionários dos EUA estão vivendo mais e esse tipo de disputa é um risco que enfrentam.

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Pelo menos 15 bilionários faleceram no ano passado, deixando para trás aproximadamente US$ 60 bilhões em ativos somados, que incluem participações em empreendimentos diversos, imóveis, iates, aviões e equipes esportivas.

O número de bilionários vem aumentando consistentemente. Em 2010, havia 490 deles na América de Norte, mas o total saltou para 747 em 2017.

A parcela dos 1 por cento mais ricos dos EUA controla 37,2 por cento do patrimônio pessoal total do país, enquanto os 50 por cento mais pobres não controlam nada dessa riqueza.Os ricos têm vida longa e os anos de acumulação de ativos se estendem. Embora cortes nos impostos sobre heranças e doações contribuam para a concentração de renda, outra causa é a oferta de serviços especializados que garantem que o dinheiro vá exatamente para onde os superabastados desejam.

Além da história de Benson, também chama a atenção o caso de um multibilionário que ainda está entre nós. Disputas em torno da capacidade mental de Sumner Redstone, hoje com 95 anos, já consumiram anos de litígio. Em janeiro, Redstone colocou um ponto final em um longo processo judicial movido por uma amante de longa data, Manuela Herzer, que tentava recuperar o direito de tomar decisões sobre a saúde dele. O assunto deflagrou outros processos, em torno do controle do império de mídia da família Redstone, do quanto as empresas pagavam para ele e da influência da filha Shari sobre sua fortuna de US$ 3 bilhões.

Hoje em dia, as fortunas dos bilionários “são tão grandes que devem chegar não só aos filhos, netos e bisnetos como também aos trinetos que os patriarcas jamais conhecerão”, disse Elizabeth Glasgow, sócia da Venable, firma especializada em sucessão e planejamento de fortunas. E com essa expectativa, o risco de litígio aumenta.

A longevidade pode ser fator crítico no crescimento e sucesso de longo prazo dos negócios de uma família, disse Jonathan Flack, que comanda a divisão de empresas familiares da PricewaterhouseCoopers nos EUA.

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Para homens nascidos em 1960 e que estão entre os 20 por cento mais ricos dos EUA, a expectativa de vida é de quase 89 anos, sete anos a mais do que para homens da mesma classe nascidos em 1930. Para os 20 por cento mais pobres, a expectativa de vida praticamente não varia, em 76 anos.

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